segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Até quando?

"Eu que já não quero mais ser um vencedor"
Los Hermanos.

Há uns quatro meses venho tendo oscilações. Passei uns sete meses bem, com oscilações "normais". Estas derradeiras oscilações tem bagunçado minha vida. Tenho crises de depressão profundas, vontade de se matar. Poderia escrever um tanto de coisa sobre o porquê disso, se matar, mas fica para outro post. Tudo começa no pensamento. É incrível a consciência que tenho disso e minha atitude ainda passiva. Sei exatamente o que tenho que fazer mas ainda não faço. Vem um pensamento à minha mente, ele traz outros pensamentos, é uma corrente. Estes pensamentos tendem a me tirar da realidade, tendem a fazer com que eu me desligue do que está ao meu redor e me concentre somente neles. Quando estou em euforia fico imaginando coisas boas, conversando com pessoas, tudo mentalmente. Chego a sentir as emoções. Quando em uma deprê, os pensamentos se desencadeiam em torno de um centro: meus erros. Erro nas mesmas coisas. Consegui avanços, mas ainda caio de vez em quando. Sou demais rigoroso comigo mesmo e isso faz eu perceber a realidade de maneira distorcida. Estou sempre no insuficiente só por não estar fazendo o melhor que posso. Há diferença nisso. Na maioria dos casos, estou na média, mas por não estar fazendo o melhor me torturo. Ai é que está. Algo (eu mesmo) me impede de fazer o melhor, de agir. Chega um momento em minha cabeça que não consigo me mexer. Fazendo uma profunda análise, eu me comporto como se eu não merecesse ser feliz. Frescura. Bem, vejo nisto uma possível patologia. Como me convencer que mereço ser feliz? Que posso ter o que quero e que tenho que correr em busca disso? As vezes acho que nem tenho um querer. Outro sintoma de patologia. Está tudo associado: falta de querer e não achar que mereço ser feliz. Sabe, nem faço questão de ter o que quero. Hoje estou tentando mudar por já não aguentar mais sofrer. Não é questão de ser um vencedor, é de não perder.

2 comentários:

Lorena disse...

Também acredito no amor e o amo, mas já me conscientizei de que não se pode ter nele uma solução. O foda é que a gente sente como se fosse assim: dar e receber do outro (principalmente dar) é o maior dos milagres; é o que realiza.
No geral tenho tentado não pensar muito nisso. Me deixa triste. Quando eu falo no blog sobre as épocas de "anabel" é com intensa saudade de quando eu vivia por acreditar em amor, e era triste, sim, mas de uma tristeza mais bonita que a de hoje. E em beleza eu ainda acredito.

Lorena disse...

Sobre esse post. Eu ainda não tinha lido esse post. Não gosto de pensar que vives dentro disso há tantos anos, dá um aperto no coração e vontade de te abraçar. As esparsas experiências de depressão patológica que eu tive foram as minhas piores experiências. Se não tivessem sido remediadas eu sei que teria morrido. Então dá uma puta angústia te pensar nisso constantemente. Não é humano, Leo. Não devia acontecer com ninguém. A dor do pensamento obsessivo. O desamparo - a pior coisa é o desamparo, e ser humano nenhum por pior que seja merece estar tão desamparado assim. Ando com muita raiva das injustiças desse mundo. Não quero que tu te mates. Não queria que pensasses nisso. Queria te guardar numa caixinha a prova de sofrimento. Queria pegar pela mão, um por um, todos os seres amados e guardar numa caixinha a prova de sofrimento...