domingo, 26 de dezembro de 2010

A grande cagada do mundo: O mercado

"Can't you see
It all makes perfect sense
Expressed in dollars and cents,
Pounds, shillings and pence
Can't you see
It all makes perfect sense" - Roger Waters (Dec. de 1980)

"We are the dollars and cents and the pounds and pence
and the mark and the yen, and yeah
We’re gonna crack your little souls, crack your little souls" - Radiohead

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"A few months ago, I mentioned that I was going to write an angry
email. I've been trying to hold it in, but can't anymore. Here's
the deal:

The seduction community is dead.

It has been replaced by the seduction industry.

And this has not been a good thing for men.

When I first discovered this world, there was very little happening
commercially--mostly just Ross Jeffries doing seminars. Eventually,
Mystery invented the concept of the seduction workshop and David
DeAngelo brought modern Internet marketing into the subculture.
But most of the other "gurus" weren't in the game for financial
reasons. They were there to share their knowledge. And overall, this
shared body of knowledge was something that almost every
PUA (Pick-Up Artist: Artista da Sedução no Brasil) -
whether rivals or not, commercial or not-regularly added to.

But things have splintered now, largely due to the intense
competition for the AFC (Average Fucking Chump:
Tolo Frustrado Médio no Brasil) dollar. Though there were inklings of this
happening at the end of the Game, if there has been any negative
impact of the success of the book, it has been the explosion of
cheap marketing and unqualified instructors. Where the experts
once sat around and discussed newer and better techniques
for approaching and attracting women, they now sit around and
discuss better ways to manipulate the men who want to learn this.

It's become confusing for guys getting into the game now, as
opposed to when it was centralized, because there are so many
search-optimized websites and forums with a commercial agenda
feeding them completely contradictory information and false
claims.

Although this has been going on for a while, I'm writing this
now because I've been getting an increasing number of emails
from guys saying they spent all this money on a seminar or a
workshop and they had a bad experience and now they're bitter and
angry about the game. They often end up becoming "trolls" and
starting "hater" websites instead of continuing down the path of
self-improvement."

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Neil Strauss, autor do livro "The Game", que no Brasil recebeu o
título "O Jogo: A Bíblia da Sedução".

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Foucault (Continuação do post anterior)

"Não me diga para permanecer o mesmo"
Frase de Foucault na capa da revista.

"Contrapondo-se às técnicas de conhecimento e de controle das subjetividades, Foucault entende que as lutas de resistência em torno do estatuto da individuação podem ser sintetizadas pela palavra de ordem seguinte: o objetivo principal, hoje, não é o de descobrirmos, mas o de nos recusarmos a ser o que somos. Não se trata de encontrar nosso eu no mundo, mas de inventarmos nossa subjetividade. Antes de ser produto de um encontro, a subjetividade é o resultado de um processo inventivo. De tal modo que a luta pela liberdade se inicia na própria esfera subjetiva. A questão, assim, é produzir, criar, inventar novos modos de subjetividade, novos estilos de vida, novos vínculos e laços comunitários, para além de formas de vida empobrecidas e individualistas implantados pelas modernas técnicas e relações de poder."

Guilherme Castelo Branco - Prof. do departamento de Filosofia da UFRJ. Foucault em três tempos. Matéria da Revista Mente-Cérebro & Filosofia, Edição nº 6.

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Quando uma Igreja prega "aceite Jesus!", ou um partido revolucionário brada "morte ao capitalismo!", estas organizações estão propondo ao indivíduo que ele construa uma nova subjetividade, e isto é bem tentador. Num mundo pós-moderno onde os vínculos sociais se encontram frouxos, este apelo traz o consolo do pertencimento a um grupo , fonte de identidade. Aliás este conceito hoje só tem serventia global para justificar uma guerra contra o "eixo-do-mal". Não é à toa que um grupo como o Tea Party causou tanto estrago nas últimas eleições norte americanas. Um paradigma bem fundamentado - acreditem vocês ou não, eles são bem fundamentados - com uma base social sólida é a maior droga que existe.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O drama de ser revolucionário hoje

Aviso: Ao postar o que se segue, dei-me a permissão de usar o martelo.

"Para os pós-modernistas, em caso contrário, modos de vida totais devem ser louvados quando se tratam de dissidentes ou grupos minoritários, mas censurados quando se trata das maiorias. As 'políticas de identidade' pós-modernas incluem assim o lesbianismo, mas não o nacionalismo, o que, para os radicais românticos mais antigos, ao contrário dos radicais pós-modernos mais recentes, seria algo de totalmente ilógico. O primeiro grupo, vivendo em certa era de revolução política, estava protegido do absurdo de acreditar que movimentos majoritários ou consensuais são invariavelmente ignorantes (grifo do blogueiro e adendo: esta é, realmente e infelizmente, a crença dos intelectualóides de hoje). O segundo grupo, florescendo em uma fase posterior e menos eufórica da mesma história, abandonou a crença em movimentos de massa radicais, sobretudo porque há muito poucos deles dos quais se lembrar. Como teoria, o pós-modernismo aparece depois dos grandes movimentos de libertação nacional dos meados do século XX, e é ou literal ou metaforicamente jovem demais para recordar-se de tais clataclismos políticos."

Terry Eagleton - A idéia de cultura