sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tudo vem do Todo

"We all live under the same sky"
Travis


Ouvi dizer que Rousseau disse que o ser humano nasce bom mas a sociedade o corrompe, mais ou menos isso. Eu concordei com isso não sabia bem por quê; hoje continuo concordando e sei por que. Ouvi dizer também que o todo é diferente da soma das partes. Também concordo. No meu entender o todo é de uma espécie diferente da parte. Um mais um é igual a dois e dois é diferente de um. Um exemplo citado que ouvi fala da célula que é um ser diferente do conjunto de elementos que a compõe. Logo a sociedade é um ser diferente do indivíduo, possuindo uma vida própria e que possui características próprias. Este é a tese que justifica a criação da sociologia. Logo, existe algo na sociedade que só pode vir dela que influencia o individuo. Todo o individuo é bom por natureza (isto precisa ser provado mas, por enquanto, utilizo isso como verdadeiro por questão de princípios) mas o contato com outro individuo, a vida em sociedade, o corrompe. Creio que pelo motivo de que uma pessoa é sempre, ou um dia foi, bem intencionada, mas quando entra em contato com outra pessoa se depara com outra visão de mundo. Deste contato surge a diferença e o conflito entre visões de mundo; deste conflito, desta diferença surgem as imperfeições, a dúvida. A dúvida é a fonte de todo mal e surge da interação entre indivíduos e os corrompe. Na verdade é nossa reação a esta idéia exterior surgida da interação que são as atitudes não boas. Mas este conflito teria que se materializar de alguma forma e o indivíduo é o canal para isto; logo pensamos que o individuo é ruim mas é uma simples reação a algo fruto da interação; a interação, a sociedade, é a causa, a ação má do indivíduo é o efeito. Por que reagimos assim? Creio que por que nos vemos como indivíduos, o que é natural. Cabe a nós, a dita evolução que tanto prego, percebemos que, na verdade, tudo vem do todo. Quando aceitarmos que, enquanto indivíduos, somos submetidos ao todo e que este não é algo ruim, mesmo que diferente, se findará o que há de ruim em nós, vindo da sociedadse, e na própria sociedade.

4 comentários:

Como Mulher Raivosa disse...

Sou mais o Suassuna, faz mais sentido que o Rousseau. Ele diz que a criança é má porque é inocente. Por exemplo, quando ela diz algo que choca, que quebra as bases, ela o faz justamente por falta de lapidação social. E eu acho que isso vai além. Baseio-me na minha sobrinha de apenas um ano, sequer fala. Baseada em suas vontades e necessidades, ela usa de chantagem discarada, todo apelo possível para alguém que não lida com a linguagem ainda e nã tem força.

A "maldade" é inerente ao homem, até por questão de sobrevivência. A sociedade faz tê-lo consciência dela. A sociedade não é pior que o indivíduo, é o contrário.

A divergência não é a origem do mal, mais provavelmente é a do bem. As dúvidas não são más. O caminho do bem é sempre o mais difícil, lembra? Por isso QUASE todo mundo continua fazendo o mal, desde que nasce. :)

Leone Rocha disse...

O que seria de mim sem você? Realmente parece que o ser humano nasce com tendências individualistas, o que seria ruim. O que eu quis dizer é que creio que tudo vem do todo, da sociedade; inclusive a definição do certo e do errado. Se alguém se torna uma pessoa boa, a origem tá na sociedade, se ruim, também; depende da reação do indivíduo. Quanto a dúvida, creio que ela só sirva como instrumento para chegar a certeza; estar em dúvida não acho uma coisa boa. Beijo.

Como Mulher Raivosa disse...

O individualismo do recém nascido é um "mal" necessário. Faz parte do "querer ser" e querer sobreviver. O problema é quando este ser passa a ter ferramentas físicas e intelectuais para garantir o sustento e continua usando das mesmas artimanhas, só que com uma dissimulação muito mais apurada. O "mal inocente" acaba aí.

Eu não sei te dizer se "o todo vem das partes" ou se "as partes vem do todo", mas eu acho que há uma superestima da sociedade sobre o indivíduo, e a história vem provando que muitas vezes o indivíduo domina a sociedade, e não o contrário. E são nesses instantes históricos que eu acho que fica provado que a "certeza" é muito mais perigosa que a dúvida.

A dúvida se aproxima muito mais do ideal de respeito que a certeza. Existe mais paz social na dúvida que na certeza, mas no indivíduo funciona ao contrário. Contradições para a manuntenção da comédia da vida. :)

Nossos papos sempre dão pra um livro (mas a maioria é de livro que já existe).

lorena disse...

Sobre o teu último comentário no meu blog: não sei se eu conseguiria simplesmente chegar aqui e apontar o que eu considerasse as deficiências dos teus textos. Sei lá, muito pedante. O que a gente pode fazer é me mandares por e-mail coisas tuas e eu te dou opiniões. Mas opiniões sobre o todo, não sobre gramática, só se fizeres questão. Sabe, depois que eu comecei a estudar Letras tive certeza de que ortografia é NADA para o sentido de um texto. Eu considero que o sentido dos teus textos passa intacto a eventuais deslizes gramaticais. Mas se quiseres me manda e-mail. Um beijo...